Porque um instrumento antes vagabundo, agora é de fino trato. Porque hoje há um público que escuta atentamente, como se ouvisse uma mini-orquestra.
Porque alguns são responsáveis por isso, mas Segóvia é definitivo.

Bony and Clyde
Porque um dia decidiram virar parceiros de crime - desses que não falam nem sob tortura e que desatam a rir da vida, como se fosse um grande circo. Sabiam que parceiros de crime eram cúmplices no sentido mais vandálico da palavra.
Precisariam confiar no implausível: da respiração ofegante à insegurança brutal.
Porque desde o primeiro assalto o mundo passou a ser um grande banco – com jóias, e ouro, e dólares, e mesmo com um gerente com cabelo parafinado muito bem vestido rentabilizando até mesmo a linha do horizonte. Assim não tardaram a pensar em um plano genial.
Noites e noites imaginando rotas de fuga e falhas nos sistemas de segurança. Observaram as rotinas, o pequeno do cotidiano. Zombaram das portas com detector de metal. Queriam a combinação do cofre.
Até que, em uma das tantas noites de olhares blindados um-no-outro, rascunharam o plano final, o assalto preciso – o golpe de mestre!
E daqui a cinco meses algumas testemunhas dirão ter ouvido alguma coisa durante a noite.
E eles já estarão longe.
Prontos para o próximo assalto.
Publicado em Ações | Tags:Bony, Clyde, crime, cumplicidade, parceiros de crime

Foto de Rodrigo Justo Duarte
Publicado em Ações, Sintomas | Tags:Álvaro de Campos, Botinha do Amor, Miroslava, Paráfrase, Ridículo
Porque eu te amo e te desejo
interminavelmente
é que me entranho em tua pele,
em tua gengiva - até os dentes
Porque eu te amo e te desejo
interminavelmente
é que desato a sentir
como só os estúpidos sentem
Porque eu te amo e te desejo
interminavelmente
é que tombo quando me fulminas
corpo, alma e mente
Porque eu te amo e te desejo
interminavelmente
vejo como se o paraíso fosse, assim,
uma condição permanente
E porque eu te amo e te desejo
interminavelmente
é que me fazes inteiro
mesmo quando ausente
Por isso, e cada vez mais,
eu te amo e te desejo
interminavelmente
- mesmo que entre nós
exista um continente
e nisso acredito incansável
quando me disseste, inconseqüentemente
depois de um beijo: eu também te amo
e te desejo
interminavelmente
Publicado em Ações, Distorções, Influências, Labores, Sintomas | Tags:Adiantando Relógios, Incansável, Interminavelmente, Miroslava, Oleiro

Monterrey, México - Foto da Nasa
Publicado em Ações, Influências, Labores, Sintomas | Tags:Mexico, Miroslava, Quem não acredita no amor???

Publicado em Influências, Sintomas | Tags:Belém, escafandrista, paradoxo
Porque o humano é esse encalacrar-se, esse jogo de tensões percebidas na dimensão do agora. Sufocado em necessidades e ânsias, atropela e desaba em frente ao outro, em frente ao si-mesmo descortinado na urgência do mundo. Descontrola-se na inconformidade e no que é disformia inata da homogeneidade, apesar de mesmo assim conseguir gozar dentro desse espaço pressurizado. Como sistema e tema da parte e do todo o existente sucumbe, vítima e algoz de sua própria construção, para re-existir no instante seguinte (re)constituído dentro de outro plano de forças, onde ressurgirá intrusivo/extrusivo, multivetorial, encalacrado na perenidade de ser humano.
Publicado em Sintomas | Tags:devir humano, inevitabilidade, multivetores, tensões
Porque sabia que no manejo da fala residia sua destreza – na trova, na conversa a desfiar, no pregão que recitava quando em chamar freguês. E vira na dona transeunte um par de olhos tão recatadinhos que perguntou se não tinham sido colhidos do pé da jaboticabeira. No que ela sorriu e lhe deu toda a atenção, esparramou-se em um gesto largo e na dissertação do sorriso espontâneo fez seu equilíbrio.
Quedaram-se na muvuca da feira, assim, um-ao-outro, avulsos no instante do encontro como uma ode ao encantamento.
Publicado em Ações, Labores | Tags:destreza, encantamento, feira, jaboticabeira
Porque queria uma família, um carro e uma casa. Era brasileiro, jovem e tinha três empregos. Ela, a menina mais bonita.
Já não o queria.
Decidiu seqüestrá-la e, na ironia própria do desespero, quedou ainda mais refém de si mesmo.
Entornado o caldo da realidade, seus anjinhos discutiram. Venceu o anjinho mau quando a polícia entrou com um estouro. Uma bala atravessada no crânio de quem uma vez amada. Uma bala ferindo a amiga também refém. Do lado de fora ouvem-se os tiros.
Sem Rosa, sem nada, tornara-se o Príncipe da tragédia em seu pequeno planeta. Prenderam-no.
Publicado em Distorções, Sintomas | Tags:ilusões, pequeno príncipe, violência
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